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A Deficiência Física Adquirida - Caroline Nóbrega

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A Deficiência Física Adquirida

Por: Caroline Nóbrega de Almeida - psicologa na AACD e pós graduanda em neuropsicologia.

CRP 06/98174

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Qualquer deficiência, seja ela congênita ou adquirida causa um impacto e interfere na dinâmica familiar do sujeito.

A deficiência adquirida ocorre após o nascimento, pode acometer o sujeito em diferentes etapas da vida, sendo conseqüente a causas não traumáticas como acidente vascular encefálico, tumores, processos degenerativos, dentre outras e também a causas traumáticas como acidentes de trânsito, agressões por armas de fogo, quedas, mergulhos, etc.

A deficiência física adquirida causa uma mudança abrupta na imagem corporal do sujeito, que de um dia para o outro, passa a se ver de uma maneira diferente (Alves; Duarte, 2010).

Anteriormente ao acidente, o sujeito já vivia sob determinadas condições profissionais, afetivas, familiares, etc. quando ocorre a deficiência, há uma mudança radical em todos os âmbitos da vida do sujeito, assim como na dinâmica familiar.

Sendo assim, a deficiência física traz para o indivíduo, não só um novo corpo, também acarreta uma série de alterações físicas, sociais e psicológicas. (Alves; Duarte, 2010).

O sujeito que se torna deficiente por conta de um acidente, ou seja, um trauma advindo de uma maneira súbita e inesperada pode ter sentimentos de revolta, culpa e arrependimento por ter feito o “ato” que o levou a tal condição.

As reações frente à deficiência dependem de como e quando esta aconteceu, assim como o tipo da deficiência, gravidade, sexo, auto-estima, recursos internos, apoio familiar, renda, tecnologia disponível dentre outros (Vash, 1988, Leinhaas e Hedstrom, 1994).

O estágio de vida em que o sujeito se encontra ao adquirir a deficiência influencia as reações vivenciadas, uma vez que a maneira que a o sujeito é visto e percebido pelos demais e as tarefas cotidianas interrompidas, acontecem de maneiras distintas em cada estágio de vida. No que se diz respeito à forma de instalação da deficiência, a experiência de um encontro muito próximo com a morte na sobrevivência a um acidente, tendem a exercer influências para o sujeito. (Vash, 1988).

As características do sujeito que se torna deficiente, como interesse, valores, recursos interiores, crenças, flexibilidade, maturidade, crenças, emoções e comportamento, também influenciam nas reações emocionais e comportamentais a aquisição da deficiência. (Vash, 1988).

A deficiência física adquirida, pode ser vivenciada como uma “morte em vida”, pois conforme Kovácks, 1977 a perda de um movimento, desfiguração, perda ou deterioração de uma parte do organismo, alterarão a potencialidade do sujeito, tanto na vida pessoal/afetiva, quanto profissional, podendo relacionar a situações semelhantes ao processo de perda por morte.

Baseada em Kubler Ross, 1998 as vivências do sujeito que adquire uma deficiência, pode ser relacionadas com as vivências de um sujeito diante da morte, sendo estas:

Choque: O sujeito fica anestesiado, sem reação; Negação: O sujeito reage como se nada de grave estivesse ocorrendo ou como se o acontecimento não fosse com ele.  É um processo inconsciente, um mecanismo de defesa visando uma proteção perante a dor da perda; Raiva: O sujeito passa a perceber a dimensão da perda. Tenta culpabilizar alguém pela nova situação, como a equipe médica que não realizou o diagnóstico a tempo ou que demora a realizar os atendimentos ou os familiares que não atendem seus desejos e que não podem prometer total recuperação; Barganha: Aparece como uma proposta de mudança de hábitos em troca de sua melhora. Há uma negociação na troca entre a mudança de vida, como conseqüente fantasia de eliminação do problema; Depressão: Processo de compreensão real da perda. Nesta fase, a revolta e raiva cedem lugar ao sentimento da perda, podendo muitas vezes, resultar numa diminuição de tratamentos e atividades e por fim Aceitação onde há uma possibilidade de convivência com a deficiência, suas limitações e potencialidades, integrando-se a nova vida. Nem sempre tais fases ocorrem na ordem citada.

A aquisição da deficiência, traz alterações para o cotidiano do sujeito, que terá que se adaptar a nova realidade e as novas exigências impostas pela sua condição. Para Novaes (1975) a reabilitação não visa apenas a recuperação do órgão ou membro afetado, e sim no resgate pleno do indivíduo, restaurando a sua posição ativa e útil à sociedade, procurando alcançar o máximo de desenvolvimento, funcionamento e integração nos diversos setores da sua vida.

 

Referencias:

ALVES, M.L.T; DUARTE, E. Relação entre a imagem corporal e deficiência física. Uma pesquisa bibliográfica. Revista Digital, Buenos Aires - Ano 15 – N. 143, Abril. 2010. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd143/relacao-entre-a-imagem-corporal-e-deficiencia-fisica.htm>. Acesso em: 07 fev. 2012.

KOVÁCS, M.J. Deficiência adquirida e qualidade de vida - possibilidades de intervenção psicológica. In: MASINI, E.A.F.S. et al. Deficiência: alternativas de intervenção. São Paulo, Casa do Psicólogo, 1997. p.95-125.

Kubler-Ross E. Sobre a morte e o morrer. 8ª ed. São Paulo (SP): Martins Fontes; 2000.

Leinhaas MM, Hedstrom NJ. Low vision: How to assess and treat its emotional impact. Geriatrics. 1994;49(5):53-6

Novaes, M. H. (1975). Psicologia aplicada à reabilitação. Rio de Janeiro: Imago.

Vash, C. L. (1988). Enfrentando a deficiência: a manifestação, a psicologia, a reabilitação. São Paulo: Pioneira.

 
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